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Política · 07/08/2026

Igreja Matriz de São Roque: Altar-mor e relógio, símbolos de fé e história que marcam o coração da cidade

A Igreja Matriz de São Roque abriga dois marcos históricos: a pintura do altar-mor dos irmãos Gentili (1954) e o relógio de quatro faces (1940). Símbolos de fé e identidade, eles são celebrados nas Festas de Agosto.

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Igreja Matriz de São Roque: Altar-mor e relógio, símbolos de fé e história que marcam o coração da cidade

A Igreja Matriz de São Roque é muito mais que um templo religioso: é o epicentro das tradicionais Festas de Agosto, que celebram o aniversário da cidade e homenageiam seu padroeiro. Durante esse período, moradores e visitantes redobram a atenção aos detalhes arquitetônicos e artísticos do edifício, cuja construção começou em 1934 sob a liderança do pároco Monsenhor Silvestre Murari. A história da nova matriz, porém, remonta a 1929, quando padre Cícero Revoredo assumiu a paróquia e idealizou a substituição da antiga igreja. Cinco anos depois, as primeiras intervenções concretas tiveram início: nos fundos do terreno cedido pela Prefeitura de São Roque, foi erguido o salão paroquial, enquanto se demolia o altar-mor, a sacristia e a sala de espera da construção anterior. Esse foi o primeiro passo de uma das transformações mais significativas na história religiosa e urbanística do município.

Entre os marcos desse processo, destaca-se a pintura do altar-mor, inaugurada em 7 de agosto de 1954. A obra foi executada pelos irmãos Pedro (1903-1968) e Ulderico Gentili (1911-1984), artistas que também deixaram sua marca em igrejas de São Paulo, Santos e outras cidades. Ulderico é avô do humorista Danilo Gentili, que frequentemente compartilha o legado artístico da família. O altar-mor impressiona pelos detalhes: de um lado, São Roque recebe a comunhão na prisão; do outro, o profeta Elias é alimentado por um anjo. Abaixo do nicho principal, dois anjos de asas abertas guardam a imagem do padroeiro. A escolha dos festeiros de 1954 não poderia ter sido mais adequada: Vasco Barioni e Murillo Silveira, ambos artistas locais, acompanhados de suas esposas. Eles se tornaram grandes amigos dos irmãos Gentili, que passaram alguns anos em São Roque finalizando a pintura completa do interior da igreja, sob a vigência de Frei Telésforo do Menino Jesus, durante a administração carmelita.

Em 2018, durante a novena do dia 13 de agosto, a família Silveira doou ao arquivo da matriz os esboços das pinturas laterais e uma folha com os pagamentos feitos aos pintores entre 1954 e 1956 – um total de 550 mil cruzeiros, acrescidos de 150 mil pela pintura da sacristia. O simples papel, sem assinaturas, revela a confiança que vigorava na época, “no fio do bigode”, como se dizia.

Outro elemento emblemático da matriz é o relógio instalado no alto da torre, inaugurado exatamente à meia-noite de 24 de dezembro de 1940, momentos antes da Missa do Galo. A cerimônia foi registrada pelo jornal local: o Largo da Matriz estava festivo, com as corporações musicais 7 de Setembro, Liberdade e Carlos Gomes. Onze casais de paraninfos e um devoto de São Roque, Júlio Arantes de Freitas, foram escolhidos para a solenidade. Ao som de fogos e música, o relógio foi desvelado, e o pároco José Lafayette Ferreira Álvarez declarou: “Depois de dois anos de profundo silêncio, o coração mecânico da cidade do grande vale volta a marcar os instantes decisivos desta boa gente.” O relógio de quatro faces tornou-se um ponto de referência para a comunidade, simbolizando o ritmo da vida local.

Esses dois marcos – o altar-mor e o relógio – não são apenas objetos de arte ou engenharia; eles representam a identidade cultural e espiritual de São Roque. A cidade, conhecida por sua produção de vinhos e pelo turismo, também carrega uma rica herança religiosa, que se expressa na arquitetura da matriz e nas festividades que atraem milhares de pessoas todos os anos. Preservar essas obras é manter viva a memória de uma comunidade que se orgulha de sua história e de sua fé.

Publicado em · atualizado em

Com informações de O Democrata

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