Julgamento de acusado de encomendar assassinato por seguro de R$ 800 mil começa em São Roque
Julgamento de Diego Fernandes dos Santos, acusado de encomendar a morte de mecânico da CPTM por seguro de R$ 800 mil, começa em São Roque. Crime chocou a cidade pelo planejamento cruel.
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A cidade de São Roque, conhecida por suas vinícolas e pelo turismo rural, foi palco de um dos crimes mais complexos e friamente calculados dos últimos anos. Nesta quarta-feira (7), o Tribunal do Júri do Fórum local deu início ao julgamento de Diego Fernandes dos Santos, acusado de ser um dos mandantes do assassinato de Paulo Eduardo Miranda Minutti, um mecânico de 32 anos que trabalhava na Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). O crime, ocorrido em maio de 2024, teria sido motivado por um seguro de vida de R$ 800 mil – valor que, segundo as investigações, triplicaria caso a vítima morresse a caminho do serviço.
O caso chocou a comunidade são-roquense não apenas pela brutalidade, mas também pela frieza com que foi planejado. Paulo foi encontrado baleado em uma viela no bairro Mailasqui, no dia 20 de maio de 2024. Apesar de ter sido socorrido e levado à Santa Casa de São Roque, ele não resistiu aos ferimentos. As investigações, conduzidas pela Polícia Civil sob a liderança do delegado Marcelo Apolinário, revelaram que o plano envolvia não apenas Diego, mas também a própria esposa da vítima, Michele Aparecida Nunes Machado. Ela e Diego mantinham um relacionamento amoroso, do qual Paulo tinha conhecimento – o casal vivia um relacionamento aberto.
O julgamento de Diego ocorre em um processo separado do de Michele, que permanece presa sem data prevista para ir a júri. Até as 20h30 desta quarta-feira, o tribunal já havia concluído o interrogatório do réu e ouvido dez testemunhas, estando na fase de debates finais. A expectativa é de que a sentença seja conhecida ainda hoje ou nos próximos dias, dependendo da complexidade das argumentações da defesa e da acusação.
Para os moradores de São Roque, o caso levanta questões profundas sobre segurança e confiança. A cidade, que costuma ser vista como um refúgio tranquilo na região metropolitana de Sorocaba, viu-se diante de uma trama digna de thriller policial. “Os executores, durante algumas semanas, estudaram o trajeto que o Paulo fazia ao trabalho, escolheram um lugar e, neste lugar, tinha um poste com iluminação pública e eles tiveram o cuidado de, no dia anterior, desconectar a luz. Após o crime, retiraram alguns objetos que estavam com o Paulo como relógio, aliança, atrapalhando a investigação, para que pensássemos que seriam um roubo ou latrocínio”, detalhou o delegado Marcelo Apolinário na época.
Diego foi preso em abril de 2025, na mesma casa onde Michele já se encontrava detida. A polícia acredita que o casal agiu em conluio para eliminar Paulo e ficar com o dinheiro do seguro. O valor de R$ 800 mil, embora expressivo, não justifica a perda de uma vida, mas serve como alerta para a importância de se investigar a fundo as relações pessoais e financeiras em casos de morte suspeita. O julgamento de Diego é acompanhado de perto pela família da vítima, que espera justiça, e por advogados que representam os interesses de Michele, cujo processo ainda tramita em segredo de Justiça.
O caso também reacende o debate sobre a necessidade de maior rigor na concessão e no pagamento de seguros de vida, especialmente quando envolvem funcionários de empresas públicas como a CPTM. Para a comunidade de São Roque, o julgamento representa não apenas o desfecho de uma tragédia pessoal, mas também a oportunidade de reafirmar que crimes tão meticulosamente planejados não ficarão impunes.


