Mairinque chega aos 136 anos com transformação no saneamento e R$ 95 milhões em investimentos
Mairinque celebra 136 anos com R$ 95 milhões em investimentos da Saneaqua, elevando cobertura de água a 100%, reduzindo perdas de 56% para 26% e ampliando coleta e tratamento de esgoto. Os avanços fortalecem a saúde pública e a preservação ambiental.

Mairinque, cidade do interior paulista que celebra 136 anos de emancipação político-administrativa, vive um momento de significativa transformação em sua infraestrutura de saneamento básico. Os avanços recentes, impulsionados por investimentos que ultrapassam R$ 95 milhões, refletem um esforço contínuo para modernizar o abastecimento de água e o tratamento de esgoto, pilares essenciais para a qualidade de vida da população e para o desenvolvimento sustentável do município.
Atualmente, mais de 42,9 mil moradores são atendidos pelos serviços operados pela Saneaqua, concessionária responsável pela gestão dos sistemas de água e esgoto na cidade. Um dos marcos mais expressivos é a cobertura total do abastecimento de água na área de concessão, garantindo que todas as residências e estabelecimentos comerciais dentro desse perímetro tenham acesso à água tratada. A Estação de Tratamento de Água (ETA) Cruzeiro, principal unidade do sistema, produz diariamente mais de 10 milhões de litros de água tratada, volume suficiente para atender a demanda da população local.
Para assegurar a qualidade da água distribuída, a concessionária realiza um rigoroso monitoramento: são mais de 6 mil análises mensais da água tratada e cerca de 80 mil análises anuais da água bruta captada em represas e poços. Esse controle é fundamental para garantir que o recurso chegue às torneiras dos moradores dentro dos padrões exigidos pelos órgãos reguladores.
O sistema de abastecimento de Mairinque é alimentado por uma combinação de fontes superficiais e subterrâneas, cada uma respondendo por aproximadamente metade do volume total. A principal fonte de captação é a Represa do Fiscal, um braço da Represa de Itupararanga, formada pela barragem do Rio Sorocaba, que fornece cerca de 80% da água bruta superficial tratada e distribuída. Os outros 20% vêm da Represa Carvalhal. Além disso, 18 poços subterrâneos complementam o abastecimento, garantindo maior segurança hídrica mesmo em períodos de estiagem.
Após o tratamento, a água é armazenada em 43 reservatórios espalhados por diferentes regiões da cidade, com capacidade total de 8,5 milhões de litros. Recentemente, a capacidade de reservação foi ampliada em 19% desde o início da concessão, um avanço que ajuda a evitar desabastecimento em horários de pico ou em situações emergenciais.
Um dos indicadores que mais chama a atenção é a drástica redução das perdas de água tratada. Em 2010, o índice era de 56% — ou seja, mais da metade da água produzida era perdida antes de chegar ao consumidor. Hoje, esse número caiu para 26%, graças a investimentos em tecnologia, monitoramento e eficiência operacional. Para efeito de comparação, a média nacional de perdas de água é de 40%, o que coloca Mairinque em uma posição bastante favorável. As perdas podem ocorrer por vazamentos em tubulações, ligações clandestinas ou erros de medição, e a redução desse índice representa não apenas economia financeira, mas também preservação de um recurso natural cada vez mais escasso.
No campo do esgotamento sanitário, os avanços também são notáveis. Atualmente, 76% da população conta com coleta de esgoto, e 53% do esgoto coletado passa por tratamento antes de ser devolvido ao meio ambiente. A Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Vitória, que processa cerca de 2 milhões de litros de esgoto por dia, utiliza a tecnologia UBOX, um sistema que combina tratamento biológico com purificação de biogás, reduzindo o impacto ambiental e contribuindo para a recuperação de corpos d'água como o Ribeirão Varjão e o Rio Sorocaba.
A infraestrutura de esgoto conta ainda com sete estações de bombeamento, localizadas nos bairros Residencial Parque, Nova Mairinque, Vila Sorocabana, Vitória, Jardim Cruzeiro e Reneville, além de 122 quilômetros de redes coletoras e interceptores. Para garantir a eficiência do tratamento, são realizadas, em média, 800 análises laboratoriais físico-químicas e microbiológicas por mês.
O impacto desses investimentos na comunidade vai além dos números. A ampliação do acesso à água tratada e ao esgotamento sanitário reduz a incidência de doenças de veiculação hídrica, melhora a qualidade de vida nos bairros mais afastados e valoriza os imóveis. Além disso, a preservação dos mananciais e a recuperação dos rios locais beneficiam o meio ambiente e fortalecem o turismo e as atividades econômicas que dependem dos recursos hídricos.
Para Alexandre Leite, gerente de operações da Saneaqua, a atuação da empresa inclui medidas voltadas à eficiência operacional, à preservação e à recuperação dos mananciais que integram o sistema de abastecimento. Ele destaca que, como parte do plano de contingência, foi realizada recentemente uma ação preventiva de grande porte na Represa do Fiscal, com o objetivo de aumentar o volume de água bruta disponível e reforçar a segurança hídrica do município.
Mairinque, que completa 136 anos, mostra que o saneamento básico é uma das bases do desenvolvimento urbano sustentável. Os avanços registrados nos últimos anos indicam um caminho promissor, mas ainda há desafios pela frente, especialmente na ampliação da coleta e tratamento de esgoto para alcançar índices universais. A continuidade dos investimentos e o engajamento da população serão fundamentais para que a cidade continue evoluindo.


