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Política · 01/10/2026

Morte de recém-nascido na Santa Casa de São Roque: família acusa negligência e Câmara instaura CPI

Família do influenciador Victor Haak denuncia negligência após morte de recém-nascido na Santa Casa de São Roque. Câmara instaura CPI e Polícia Civil investiga demora na cesariana. Caso expõe fragilidades no atendimento obstétrico local.

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Morte de recém-nascido na Santa Casa de São Roque: família acusa negligência e Câmara instaura CPI

Um drama familiar abala a cidade de São Roque desde a última terça-feira, 29 de outubro, quando um bebê recém-nascido, filho do influenciador digital Victor Haak, morreu na Santa Casa da cidade. A família denuncia que houve negligência médica e pede explicações sobre a demora na realização de uma cesariana de urgência, que poderia ter salvo a vida da criança. O caso, que já mobilizou a Polícia Civil e a Câmara Municipal, expõe fragilidades no atendimento obstétrico local e levanta questionamentos sobre a qualidade dos serviços prestados à população são-roquense.

De acordo com o boletim de ocorrência registrado pelo avô da criança, a gestante deu entrada na Santa Casa na madrugada de segunda-feira, 28 de outubro, com fortes dores abdominais e suspeita de trabalho de parto. Contudo, o parto só foi realizado no final da tarde do dia seguinte, por volta das 17h, quando a família foi informada de que o bebê já havia nascido sem vida. A demora de mais de 36 horas entre a internação e a cesariana é o principal ponto de contestação da família, que alega que a equipe médica não agiu com a celeridade necessária diante dos sinais de sofrimento fetal.

A declaração de óbito do natimorto aponta duas causas: anoxia perinatal, que ocorre quando o bebê deixa de receber oxigênio ou nutrientes suficientes durante a gestação ou o parto, e cesárea por sofrimento fetal, situação em que há falta de oxigênio ou fluxo sanguíneo adequado para o recém-nascido durante o parto ou logo após o nascimento. Esses diagnósticos reforçam a tese de que o bebê estava em risco iminente, e a demora no procedimento cirúrgico pode ter sido determinante para o desfecho trágico.

Victor Haak, conhecido na região por seu trabalho como influenciador, publicou um vídeo na quarta-feira, 30 de outubro, desabafando sobre a perda. “Meu filho morreu ontem por pura negligência. A gente quer resposta da Santa Casa de São Roque. Por que meu filho morreu, se ele estava perfeito? Por que demoraram tanto para fazer essa cesárea? É absurdo o que aconteceu”, afirmou, visivelmente abalado. Ele também destacou que a prioridade, naquele momento, era cuidar da esposa, que teria perdido muito sangue durante o parto. “A gente quer explicação, quer justiça. Isso não pode acontecer. Outras famílias não podem passar por isso. O que posso deixar claro é que houve negligência”, completou.

A Santa Casa de São Roque, em nota oficial, informou que a paciente deu entrada na unidade na segunda-feira, 28, e, após avaliação, foi internada com bolsa rota (rompimento precoce da membrana amniótica), mas fora de trabalho de parto, para acompanhamento. A instituição afirmou que, no dia seguinte, diante da avaliação clínica, foi indicada e realizada uma cesariana de urgência, e que ao nascer o recém-nascido recebeu atendimento do neonatologista em sala de parto, sendo constatado o óbito perinatal. A Santa Casa disse ainda que o caso está sob análise técnico-assistencial interna, com revisão do prontuário e das etapas do atendimento, e que lamenta profundamente a perda, prestando apoio à família e se colocando à disposição das autoridades.

A repercussão do caso foi imediata na cidade. Na quinta-feira, 1º de novembro, a Câmara Municipal de São Roque instaurou uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as circunstâncias da morte. Todos os 13 vereadores assinaram o documento que pede a abertura do procedimento, demonstrando a gravidade com que o assunto é tratado no legislativo local. A CPI ainda não definiu quem será o relator e quem presidirá os trabalhos, mas já estão previstas a convocação de testemunhas, a solicitação de documentos e perícias, além de visitas técnicas à Santa Casa. A investigação parlamentar promete jogar luz sobre os protocolos de atendimento obstétrico e a eventual responsabilidade dos profissionais envolvidos.

Para os moradores de São Roque, o caso vai além de uma tragédia familiar. A cidade, que conta com uma única maternidade de referência, a Santa Casa, vê-se diante de um episódio que pode abalar a confiança no sistema de saúde local. Muitas gestantes e seus familiares agora questionam se os procedimentos de urgência são realmente cumpridos e se há estrutura suficiente para evitar mortes evitáveis. A CPI, além de apurar a responsabilidade, pode gerar recomendações para melhorias no atendimento, como a capacitação de equipes, a aquisição de equipamentos e a revisão de protocolos de parto humanizado e de emergência.

Enquanto isso, a Polícia Civil já iniciou as investigações, ouvindo familiares e analisando prontuários. O caso, que mobiliza a opinião pública, também reacende o debate sobre a judicialização da saúde e a necessidade de transparência nas instituições hospitalares. A família Haak, amparada por advogados, promete não descansar até que a verdade seja esclarecida e que medidas sejam tomadas para que outras famílias não sofram a mesma dor. O desfecho desse caso pode ter impactos duradouros na forma como a saúde materno-infantil é tratada em São Roque e em toda a região.

Publicado em · atualizado em

Com informações de G1

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