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Política · 15/08/2026

O Badalar dos Sinos da Matriz de São Roque: Uma Tradição de Fé que Ecoa desde 1959

Em 25 de janeiro de 1959, os sinos da Matriz de São Roque foram consagrados em uma grande cerimônia popular. A campanha, liderada por festeiros, uniu a comunidade e deu origem a um carrilhão de 1.200 kg que até hoje ecoa nas Festas de Agosto, simbolizando fé e união.

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O Badalar dos Sinos da Matriz de São Roque: Uma Tradição de Fé que Ecoa desde 1959

Nas Festas de Agosto, quando o som grave e festivo dos sinos da Igreja Matriz de São Roque anuncia a procissão do padroeiro, os moradores são transportados a uma época de grande mobilização comunitária. A instalação e consagração desses sinos, ocorrida em 25 de janeiro de 1959, não foi apenas um marco na história religiosa da cidade, mas o resultado de uma campanha popular que uniu famílias, comerciantes e devotos em torno de um objetivo comum.

A iniciativa partiu dos casais festeiros daquele ano: Ireneu José Silveira e Dilecta Maraccini Silveira, responsáveis pela Festa do Divino, e Antonio Augusto de Mattos e Rita Helena de Mattos, festeiros de São Roque. Eles lideraram uma arrecadação que contou com dezenas de colaboradores, muitos dos quais preferiram permanecer anônimos, sendo citados apenas como “devotos de São Roque”. Outros doaram em nome de suas famílias, em memória de entes falecidos ou em nome de estabelecimentos comerciais. O esforço coletivo foi amplamente divulgado na imprensa local, que publicou listas de contribuintes e estimulou a participação popular.

Na manhã daquele domingo, a Praça da Matriz ficou completamente lotada. Fiéis de todas as idades acompanharam a cerimônia de consagração, presidida pelo bispo auxiliar da Arquidiocese de São Paulo, Dom Vicente Marchetti Zioni. O carrilhão era composto por três sinos, com peso total de 1.200 quilos, cada um dedicado a um santo: o Sino São Roque (apadrinhado pelo casal Mattos), o Sino Divino Espírito Santo (apadrinhado pelo casal Silveira) e o Sino Nossa Senhora Aparecida (apadrinhado pelo prefeito Lívio Tagliasacchi e sua esposa). O professor Rubens Francisco Salles Boccato discursou, dando as boas-vindas às autoridades eclesiásticas.

A cerimônia de sagração, como explicou o articulista Telmo Vieira na edição de 24 de janeiro de 1959, é um ritual raro e de profundo significado espiritual. Equivale a um batismo dos sinos: após a bênção da água, os sinos são lavados interna e externamente e enxugados com toalhas de linho. O bispo traça cruzes com óleo dos enfermos e crisma, incensa os sinos, e os paraninfos os acionam pela primeira vez com um martelinho de madeira. Esse cerimonial, que remonta aos primeiros séculos do Cristianismo, foi cumprido à risca, reforçando a fé da comunidade.

A história dos sinos está entrelaçada com a própria construção da Igreja Matriz, iniciada em 1934 sob a liderança do Monsenhor Silvestre Murari. A ideia original havia sido lançada pelo padre Cícero Revoredo em 1929. A entrega parcial da obra ocorreu em 3 de abril de 1937, e a pedra fundamental da fachada foi lançada em 19 de março de 1939. Na véspera do Natal de 1940, o relógio de quatro faces foi inaugurado. Anos depois, em 1954, os irmãos Pedro e Ulderico Gentilli realizaram a pintura do altar principal, concluindo a pintura artística em 1956. A campanha dos sinos, portanto, representou mais uma etapa crucial na conclusão do templo.

O impacto desses sinos na vida dos são-roquenses vai além do religioso. Eles marcam o tempo, anunciam as celebrações, acompanham os momentos de alegria e de luto. Durante as Festas de Agosto, o badalar é um convite à participação, um elo entre gerações que mantém viva a tradição. Hoje, os sinos continuam a soar, lembrando a todos que a fé e a união comunitária podem transformar um sonho em realidade. Como registrou a imprensa da época: “o bronze do sino perpetuará seu nome de benfeitor”. E assim, o nome de cada colaborador ecoa, junto com o som dos sinos, na memória da cidade.

Publicado em · atualizado em

Com informações de O Democrata

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