Óbito em maternidade mobiliza Câmara de São Roque: CPI investigará assistência obstétrica e neonatal na Santa Casa
Câmara de São Roque instaura CPI unânime para investigar atendimento obstétrico e neonatal na Santa Casa após óbito em 29/09/2026. Vereadores Flávio Rodrigues, Guilherme Nunes e Diego Costa compõem a comissão que buscará esclarecer falhas e propor melhorias.

A Câmara Municipal de São Roque deu um passo decisivo para esclarecer as circunstâncias de uma tragédia que abalou a comunidade local. Na quinta-feira, 1º de outubro de 2026, foi protocolado o Requerimento nº 117/2026, que institui uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a fundo a prestação de serviços de assistência obstétrica e neonatal na Santa Casa de Misericórdia de São Roque. O episódio que motivou a abertura da CPI foi um atendimento ocorrido em 29 de setembro de 2026, que resultou no óbito de uma paciente ou recém-nascido — a Câmara não detalhou se a vítima foi a mãe ou o bebê, mas o foco da apuração será a qualidade e a segurança dos cuidados oferecidos na maternidade da instituição.
A iniciativa partiu de todos os 15 vereadores que compõem o Legislativo Municipal, que assinaram o requerimento em conjunto, demonstrando a gravidade e a comoção gerada pelo caso. A Santa Casa de São Roque é o principal hospital da cidade e referência para a região, especialmente em serviços de urgência e emergência, incluindo partos de alto risco. A morte de uma paciente ou recém-nascido em uma unidade tão central levanta questionamentos sobre protocolos, infraestrutura, capacitação da equipe e condições de trabalho, temas que a CPI pretende esmiuçar.
Após o protocolo, o presidente da Câmara, vereador Julio Mariano, encaminhou o requerimento para que as lideranças partidárias indicassem os membros titulares da comissão. Foram designados os vereadores Flávio Rodrigues, Guilherme Nunes e Diego Costa para compor o colegiado. A portaria de nomeação deverá ser publicada nas próximas horas, conforme anunciou Mariano. Com a oficialização, os três parlamentares terão prazo para realizar a primeira reunião da CPI, na qual serão eleitos o presidente e o relator, além de traçarem o plano de trabalho inicial.
A CPI terá poderes para convocar testemunhas, requisitar documentos, realizar diligências in loco e solicitar perícias técnicas. O objetivo é apurar desde as condições do atendimento no dia 29 de setembro até possíveis falhas estruturais ou organizacionais que possam ter contribuído para o desfecho fatal. Para a população de São Roque, que conta com cerca de 80 mil habitantes, a Santa Casa é um equipamento de saúde vital, e a confiança em seus serviços é essencial. Casos como esse geram insegurança e cobrança por transparência, especialmente entre gestantes e famílias que dependem do hospital.
A investigação também ocorre em um contexto de desafios enfrentados por hospitais filantrópicos no interior paulista, que muitas vezes operam com recursos limitados e alta demanda. A CPI poderá trazer à tona não apenas responsabilidades específicas, mas também recomendações para melhorias no atendimento obstétrico e neonatal, beneficiando futuras gerações de moradores. A expectativa é que os trabalhos sejam concluídos em até 120 dias, prorrogáveis, e que o relatório final seja apresentado ao plenário da Câmara, com possibilidade de encaminhamento ao Ministério Público se houver indícios de crime ou negligência.
A comunidade são-roquense acompanha com atenção os desdobramentos. A CPI representa um instrumento de fiscalização do Legislativo sobre o Executivo e sobre entidades conveniadas, e sua instauração unânime sinaliza que o caso não será tratado com descaso. Para os vereadores envolvidos, a missão é garantir que a verdade seja apurada e que medidas concretas evitem que tragédias semelhantes se repitam.


