Sabesp inicia mapeamento de saneamento rural em São Roque e região com o Programa Brotar
Sabesp mapeia abastecimento de água e esgoto em áreas rurais de São Roque e mais 10 cidades pelo Programa Brotar. Levantamento até 2026 visa expandir saneamento em regiões historicamente desassistidas.

A Sabesp deu início ao Censo Rural em São Roque, uma iniciativa estratégica do Programa Brotar que visa diagnosticar as condições de abastecimento de água e esgotamento sanitário nas áreas rurais do município e de outras dez cidades das regiões de Botucatu, Tatuí e São Roque. O levantamento, que se estenderá até dezembro de 2026, representa um marco na universalização dos serviços de saneamento no interior paulista, especialmente em localidades historicamente desassistidas.
Em São Roque, conhecida por suas vinícolas e pelo turismo rural, a presença de propriedades isoladas e comunidades dispersas sempre representou um desafio logístico e financeiro para a expansão da rede de água e esgoto. Muitos moradores dependem de poços artesianos, fossas sépticas ou até mesmo de soluções precárias, o que pode comprometer a qualidade da água e a saúde pública. O Censo Rural busca justamente mapear essas realidades, identificando não apenas os domicílios, mas também as fontes de água, os sistemas de tratamento existentes e as principais carências da população.
Os recenseadores, devidamente uniformizados e identificados, percorrem as propriedades rurais equipados com tablets e sistemas de georreferenciamento. Cada imóvel é registrado com coordenadas precisas, permitindo à Sabesp cruzar dados socioambientais e de infraestrutura. Essas informações serão fundamentais para planejar soluções sob medida – desde a extensão de redes convencionais até a implantação de sistemas alternativos, como estações de tratamento descentralizadas ou cisternas comunitárias.
O Programa Brotar, que abrange 371 municípios da Unidade Regional de Saneamento Básico (URAE-1), prevê o mapeamento de aproximadamente 820 mil domicílios rurais em todo o Estado de São Paulo, com 20 frentes regionais de trabalho. Na região de São Roque, além do próprio município, também são contemplados Anhembi, Agudos, Araçariguama, Bofete, Boituva, Laranjal Paulista, Porangaba, Quadra, Torre de Pedra e Torrinha. A escolha dessas localidades reflete a prioridade dada a áreas com baixa cobertura de saneamento e alta vulnerabilidade social.
Segundo Maurício Polezi, diretor regional da Sabesp no Médio Tietê, o levantamento permitirá conhecer as particularidades de cada comunidade – como o tipo de solo, a disponibilidade hídrica e a densidade populacional – e, a partir disso, desenhar intervenções mais eficientes e sustentáveis. Antes da desestatização, a Companhia não podia atuar em áreas rurais informais ou de extrema vulnerabilidade devido a limitações contratuais. Com o novo escopo, essas regiões passam a integrar o planejamento oficial, abrindo caminho para investimentos que podem transformar a realidade de milhares de famílias.
O impacto esperado vai além do acesso à água tratada e à coleta de esgoto. A melhoria do saneamento rural reduz a incidência de doenças de veiculação hídrica, como diarreia e hepatite A, protege nascentes e cursos d’água, e valoriza as propriedades, estimulando o turismo e a produção agrícola local. Em São Roque, onde a economia gira em torno do enoturismo e da agricultura familiar, a universalização do saneamento pode ser um diferencial competitivo e um atrativo para novos investimentos.
Os moradores das áreas rurais de São Roque podem colaborar com os recenseadores, que estão nas propriedades desde agosto e seguirão até o final de 2026. A Sabesp reforça que todos os dados coletados são sigilosos e servirão exclusivamente para o planejamento de obras e serviços. A parceria com as prefeituras locais garante que as informações sejam integradas aos planos municipais de saneamento, aumentando a efetividade das ações.
Com o Censo Rural, São Roque dá um passo importante rumo à meta de levar água e esgoto tratados a toda a sua população, inclusive àqueles que vivem nos recantos mais afastados. A expectativa é que, nos próximos anos, o Programa Brotar se consolide como um modelo de planejamento participativo e baseado em evidências para o saneamento rural no estado.


