Tragédia na Maternidade: Santa Casa de São Roque Afasta Profissionais e CPI Investiga Morte de Bebê
Santa Casa de São Roque afasta equipe após morte de bebê; influenciador Victor Haak denuncia negligência. CPI e Polícia Civil investigam o caso, que comoveu a cidade e reacendeu debate sobre atendimento obstétrico na região.
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A Santa Casa de São Roque, tradicional hospital da região, anunciou nesta quarta-feira, 7, o afastamento preventivo de toda a equipe envolvida no atendimento a uma gestante cujo bebê faleceu logo após o parto. A medida, segundo a instituição, faz parte de um processo de análise técnico-assistencial interno, que busca esclarecer as circunstâncias da morte ocorrida em 29 de setembro. A decisão visa garantir a isenção e a transparência da apuração, mas os nomes e os cargos dos profissionais afastados não foram divulgados.
O caso ganhou grande repercussão após o influenciador digital Victor Haak, pai da criança, tornar pública a denúncia de suposta negligência médica. Em um vídeo emocionado postado no dia 30, Haak afirmou que seu filho, que estava saudável, morreu por falta de atendimento adequado. "Meu filho nasceu morto por pura negligência. Queremos respostas. Por que demoraram tanto para fazer a cesárea?", questionou o influenciador, que também relatou que a esposa perdeu muito sangue durante o processo e que a prioridade agora é cuidar dela.
De acordo com o boletim de ocorrência registrado pelo avô da criança, a gestante deu entrada na Santa Casa na madrugada de segunda-feira, 28, com fortes dores abdominais e sinais de trabalho de parto. Após avaliação, o hospital informou que a paciente foi internada com bolsa rota (rompimento precoce da membrana amniótica), mas fora de trabalho de parto ativo, para acompanhamento. No entanto, a família alega que o parto demorou mais de 30 horas para ser realizado. A cesariana de urgência só foi indicada e realizada na tarde de terça-feira, 29, por volta das 17h, quando o bebê já havia falecido.
A declaração de óbito aponta duas causas principais: anoxia perinatal (falta de oxigênio ou nutrientes durante a gestação ou o parto) e cesárea por sofrimento fetal (quando o feto não recebe oxigênio ou fluxo sanguíneo adequado). Esses termos técnicos indicam que o bebê pode ter sofrido uma parada cardiorrespiratória antes ou durante o procedimento cirúrgico. A Polícia Civil já abriu inquérito para investigar o caso, e o corpo foi encaminhado ao Serviço de Verificação de Óbitos (SVO) para exames complementares.
A comoção tomou conta de São Roque, uma cidade conhecida por sua tranquilidade e forte tradição familiar. Moradores e frequentadores do centro histórico, onde a Santa Casa está localizada, manifestaram solidariedade à família e cobraram apuração rigorosa. Para a comunidade, o caso reacendeu o debate sobre a qualidade do atendimento obstétrico na região, especialmente em unidades que atendem gestantes de alto risco. A Santa Casa, que é referência na cidade, enfrenta o desafio de manter a confiança da população enquanto conduz a investigação interna.
A Câmara Municipal de São Roque também agiu rapidamente. Na mesma semana, todos os 13 vereadores assinaram o requerimento para a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar a morte do bebê. Os vereadores Guilherme Nunes (PSD), Flávio Rodrigues (Republicanos) e Diego Costa (PSB) foram nomeados como membros titulares, embora as funções específicas de cada um ainda não tenham sido definidas. A primeira reunião da CPI está marcada para quinta-feira, 8, às 15h30, e promete ser um marco na busca por respostas.
Em nota oficial, a Santa Casa de São Roque afirmou que "lamenta profundamente a perda" e que está prestando apoio à família. A instituição reiterou que o caso está sob análise técnico-assistencial interna, com revisão do prontuário e das etapas do atendimento, e que se colocou à disposição das autoridades competentes para prestar todos os esclarecimentos necessários. A direção do hospital também destacou que o afastamento dos profissionais é uma "medida preventiva" para garantir a total isenção e transparência do processo.
O caso de Victor Haak ecoa outras tragédias obstétricas que ocorreram no Brasil nos últimos anos, levantando questões sobre a necessidade de protocolos mais rígidos em maternidades e a importância de um parto humanizado e seguro. Para os moradores de São Roque, a investigação da CPI e da Polícia Civil representa não apenas uma busca por justiça para a família Haak, mas também uma oportunidade para que o sistema de saúde local seja aprimorado, evitando que outras famílias passem por sofrimento semelhante.

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